Mostrando postagens com marcador Mario Quintana. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mario Quintana. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Poesia de Mario Quintana - Bilhete

Bilhete
Mario Quintana

Se tu me amas, ama-me baixinho 
Não o grites de cima dos telhados 
Deixa em paz os passarinhos 
Deixa em paz a mim! 
Se me queres, 
enfim, tem de ser bem devagarinho, 
Amada, que a vida é breve, e o amor mais breve ainda..

domingo, 12 de agosto de 2012

Frase: O Eterno Espanto - Maio Quintana


O Eterno Espanto
Que haverá com a lua que sempre que a gente a olha é com o súbito espanto da primeira vez?

Mario Quintana

domingo, 14 de agosto de 2011

Poeta: Mario Quintana - Eu escrevi um poema triste

Eu escrevi um poema triste

Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!

Mario Quintana
(1904-1996)

Poeta: Mario Quintana - Eu fiz um poema

Eu fiz um poema

Eu fiz um poema belo
e alto
como um girassol de Van Gogh
como um copo de chope sobre o mármore
de um bar
que um raio de sol atravessa
eu fiz um poema belo como um vitral
claro como um adro...
Agora
não sei que chuva o escorreu
suas palavras estão apagadas
alheias uma à outra como as palavra de um dicionário.
Eu sou como um arqueólogo decifrando as cinzas de uma cidade morta.
 O vulto de um velho arqueólogo curvado sobre a terra...
Em que estrela, amor, o teu riso estará cantando?

Mario Quintana
(1906-1994)

Poeta: Mario Quintana - Vida

Vida

Não sei
o que querem de mim essas árvores
essas velhas esquinas
para ficarem tão minhas só de as olhar um momento.

Ah! se exigirem documentos aí do Outro Lado,
extintas as outras memórias,
só poderei mostrar-lhes as folhas soltas de um álbum de imagens:
aqui uma pedra lisa, ali um cavalo parado
ou
uma
nuvem perdida,
perdida...

Meu Deus, que modo estranho de contar uma vida!.

Mario Quintana
(1906-1994)

sábado, 13 de agosto de 2011

Poeta: Mario Quintana - Quem ama inventa

Quem ama inventa

Quem ama inventa as coisas a que ama...
Talvez chegaste quando eu te sonhava.
Então de súbito acendeu-se a chama!
Era a brasa dormida que acordava...
E era um revoo sobre a ruinaria,
No ar atônito bimbalhavam sinos,
Tangidos por uns anjos peregrinos
Cujo dom é fazer ressurreições...
Um ritmo divino? Oh! Simplesmente
O palpitar de nossos corações
Batendo juntos e festivamente,
Ou sozinhos, num ritmo tristonho...
Ó! meu pobre, meu grande amor distante,
Nem sabes tu o bem que faz à gente
Haver sonhado... e ter vivido o sonho!

Mario Quintana
(1906-1994)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Poeta: Mario Quintana - Bilhete com endereço

Bilhete com endereço

Mas onde já se ouviu falar
Num amor à distancia,
Num tele-amor?!
Num amor de longe...
Eu sonho é um amor pertinho
Um amor juntinho...
E, depois,
Esse calor humano é uma coisa
Que todos - até os executivos - têm.
É algo que acaba se perdendo no ar,
No vento
No frio que agora faz...
Escuta!
O que eu quero,
O que eu amo,
O que desejo em ti,

É o teu calor animal!...

Mario Quintana
(1906-1994)

domingo, 10 de julho de 2011

Poeta: Mario Quintana - Noturno

Noturno

Não sei por que, sorri de repente
E um gosto de estrela me veio na boca...
Eu penso em ti, em Deus, nas voltas inumeráveis que fazem os caminhos...
Em Deus, em ti, de novo...
Tua ternura tão simples...
Eu queria, não sei por que, sair correndo descalço pela noite imensa
E o vento da madrugada me encontraria morto junto de um arroio,
Com os cabelos e a fonte mergulhados na água límpida...
Mergulhados na água límpida, cantante e fresca de um arroio!


Mario Quintana
(1906-1994)

Poeta: Mario Quintana - Meu bonde passa pelo Mercado

Meu bonde passa pelo Mercado

Meu bonde passa pelo Mercado.
Mas o que há de bom mesmo não está à venda,
O que há de bom não custa nada.
Este momento de euforia é a flor da eternidade.
E essa minha alegria inclui também minha tristeza
- a nossa tristeza...
Tu não sabias, meu companheiro de viagem?
Todos os bondes vão para o infinito!

Mario Quintana
(1906-1994 )