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domingo, 18 de dezembro de 2011

Poeta: Galdino Barreto - Gurizinho


O amor é feio
Eu tenho medo dele
Ele mexe com a gente
Eu vou falar para mãe:
Manhê! Olha o amor esse bobo...

Galdino Barreto - Breu, O lado escuro de um poema.

Poera: Galdino Barreto - Calçada

O cão sarnento dorme...
Que sejas poeta no sul
Eu nem sinto a dor dos meus irmãos
Ouço apenas o clarão do cantar dos teus olhos
Ao longo da viola amorosa
Pulgas e rosas vibram no luar do teu vulto
Tu que há tempos se foi...

O cão sarnento dorme...
Desbotaste a memória
Atiçaste o cão
Deste vida ao meu sonho
Por céus de ouro e púrpura raiados
Tons suaves da melancolia
E eu ti peço: não rias!
Pois o cão sarnento dorme...
Dorme...

Dorme! Dorme, cão sarnento
Eu planejo a minha fuga
Sem lamentos
Sem rugas
Sem sonho inventado
Apenas penso em partir
Mas não rias!
Pois o cão sarnento dorme
Sem títulos
Sem uniforme.

Galdino Barreto - Breu, O lado escuro de um poema.

Poeta: Galdino Barreto - Sopinha

Se, tu ao menos visses
A dor do meu peito inflamado
Entenderias o porquê do barulho da chuva...

Se as tuas mãos
De dedos em luva
Tocassem as feridas que sangram
Entenderias o porquê do meu grito...

E quem falou que eu quero o teu corpo?
Se o meu alimento
É teu amor...


Galdino Barreto - Breu, O lado escuro de um poema.

Poeta: Galdino Barreto - Gravata


Se os vermes não mais
me acompanharem
E se só levarei
O que aqui deixar...
De que me adianta correr
Se partirei como um cão faminto
E só em minha Lápide fria abrigo seguro terei

Quando as minhas mãos fracas
Agarrarem somente o que elas puderem empunhar
Ficará só uma simulação do fim da carreira
Um esqueleto débil...
Um túmulo sem reboco
Vermes saciados.

Galdino Barreto - Breu, O lado escuro de um poema.